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O Blog Entrevista... #1


Foi com um imenso prazer que  Blog entrevistou o autor de Nêmeses(entre outros títulos super desejados... ^^): Diogo de Souza.


1 - Quem é Diogo De Souza?

Um incurável jogador de RPG, ator e diretor de teatro inveterado, que é assolado por histórias, personagens, tramas e enredos que gritam diariamente para serem escritos.

2 - Como é ser escritor no Mercado Brasileiro?

É uma experiência doce e amarga.

Por um lado, eu acredito que ninguém realmente dura muito tempo como escritor se não tiver na veia uma gana incontrolável por contar histórias. Mesmo nos momentos difíceis da criação de um livro, nos momentos de bloqueio ou de dúvida, ou quando paramos subitamente de escrever porque não sabemos como terminar um diálogo ou cena. Tudo isso é prazeroso. Aliás, é por causa dessa dificuldade que escrever é prazeroso. Se uma pessoa se enveredar pelo caminho da escrita sem ter esse ânimo pelo trabalho em si, esse prazer no ato de escrever, ela não vai durar muito. Vai faltar o desejo de levar adiante essa ocupação.

Então, por este lado, escrever é um prazer atrás do outro.

Por outro lado, é uma ilusão achar que o trabalho de um escritor se limita a escrever o livro. É preciso procurar por um editor, batalhar uma publicação, divulgar seu trabalho de todas as formas possíveis, atender a eventos, negociar contratos, gerenciar seu marketing pessoal, enfim... um monte de coisas que podem não ser exatamente aquilo que você quer fazer da vida, e que podem acabar sendo bastante chatas.

Some a isso a realidade do mercado brasileiro. Esse é um cenário deplorável para nós, escritores iniciantes, especialmente os de literatura de gênero.

Existe muito pouco investimento das grandes editoras em autores iniciantes. Muito menos em autores de literatura de gênero (como a ficção fantástica). Ora, estas são as editoras que tem (e terão) maior espaço de exibição em uma livraria. Os livros das editoras pequenas, dos autores iniciantes, ficam lá no fundo, naquelas prateleiras em que poucos vão. Assim, um autor inicinte não pode esperar que seu livro se venda sozinho – independente da qualidade. É preciso ralar duro para divulgar sua obra. Além disso, saber vender não tem nada a ver com saber escrever...

Essa é a parte chata.

3 - Qual sua lista de Top 10 de livros favoritos?

1º – A hora da estrela – Clarice Lispector.
2º – Um jogo de Tronos – George R. R. Martin.
3º – A série de “Terramar” – Ursula K. Le Guin.
4º – O caçador de Apóstolos – Leonel Caldela
5º – Toda a série de Harry Potter – J. K. Rowling.
6º – O jogo do Anjo – Carlos Luiz Zafón
7º – O senhor das moscas – William Golding
8º – As crônicas de Amber – Roger Zelazny
9º  A trilogia de Thrawn – Timothy Zahn
10º – A trilogia “his Dark Materials” – Philip Pulman

4 - Qual o processo de se escrever um livro até que ele chegue nas mãos dos leitores?

Escrever o livro.

Cada autor tem seu processo individual de fazer isso. Eu sou daqueles que gosta de delinear o livro inteiro antes de começar a escrever a primeira página. Então, para mim, o processo de escrever se divide em “planejamento” e “execução”. Eu fico um tempão no planejamento. Eu vejo e revejo meu enredo, avalio os personagens, procuro furos na trama, tento amarrar todas as pontas que consigo. Quando eu parto para a execução, já sei exatamente o que fazer, de onde sair e onde chegar. Planejar tem a ver com a minha piração, com o delírio que eu quero colocar no papel, e é onde eu solto a imaginação. Executar em a ver com estilo, construir frases, criar uma narrativa que seja deliciosa. Escrever o livro, para mim, é a parte mais gostosa.

Rever o livro.

Livro escrito não é livro pronto. Como diz um ditado: “bons livros não são escritos, eles são reescritos”. É muito difícil que você consiga colocar em palavras tudo o que queria, de forma perfeitamente clara, logo na primeira vez. É preciso rever o seu material de novo, e de novo, e de novo, e depois disso mais um pouco ainda. Há escritores que conseguem rever o livro enquanto escrevem: eles escrevem um capítulo ou página, revisam seis vezes, e depois vão para frente. Eu não faço assim: eu escrevo o livro inteiro, e depois revejo o livro inteiro. Existe uma clareza de percepção que só o distanciamento temporal pode nos dar, e eu sempre prefiro rever meu primeiro capítulo depois de terminar o último.

Rever o livro de novo.

Mais uma vez não mata ninguém.

Outra revisão do livro.

Se já fez tantas, porque não mais uma?

Leitura crítica.

Se você se esforçar ao máximo e fizer do seu livro o melhor que você é capaz, ainda assim, será apenas o melhor que você é capaz. É preciso uma visão de fora. É preciso que uma outra pessoa leia seu livro, uma pessoa alheia ao seu processo de criação literária, que não seja seu parente ou amigo, que não tenha o menor compromisso em te agradar. É preciso que uma visão externa critique seu trabalho e aponte erros e acertos onde eles existem. Só assim seu livro pode se transformar em uma obra melhor do que você poderia fazer sozinho. Receber essa crítica, isenta, e saber assimilá-la é um exercício que promove muito o desenvolvimento do escritor.

Revisão Profissional.

Hoje em dia, tem muita, mas muita gente escrevendo um livro. Um autor não tem a obigação (a priori) de ser um perfeccionista linguístico, mas com tanta competição, um erro de ortografia, gramática ou semântica pode ser o suficiente para um editor torcer o nariz para o seu livro. Um editor torcendo o nariz para o seu livro é uma chance de publicação a menos. Eu mantenho que um autor precisa fazer uma revisão profissional de seu texto ANTES de enviá-lo às editoras. É uma passo a mais até chegar a uma publicação, mas pode ser um passo decisivo.

Enviar o livro para as editoras:

Com um livro escrito, reviado, criticado e revisto, é hora de enviá-lo a todas as editoras possíveis que publiquem literatura na sua linha. Se existem oitenta editoras, mande seu original para as oitenta. Não deixe nenhuma de fora.

Essa parte do processo é bem demorada, e pode ser especialmente frustrante. Muitas editoras não irão sequer responder ao seu original. Outras tantas lhe darão uma resposta negativa. Não importa, porque se uma, qualquer uma, lhe der uma resposta positiva, você já tem a sua publicação.

Produção editorial do livro

Enquanto o livro está em produção, é comum o autor ter um contato mais próximo com o seu editor. É preciso elaborar sinopses, press releases, aprovar a capa, ler o texto diagramado para ver se está tudo bem, conversar com o capista, responder a entrevistas (como esta), aprovar o modelo final do livro, etc. O autor tem pouco trabalho nesta parte.

Lançamento do livro:

É isso. Depois de percorrido o caminho todo, o livro está pronto, entregue, preparado, produzido, impresso, concretizado. É hora de partir para outro!

5 - Fale um pouco mais sobre seu livro.

Eu tenho três livros publicados: “Fuga de Rigel”, “Abascanto, a sombra dos caídos”, e “Nêmesis, o retorno de Astarot”.

“Fuga de Rigel” conta a história de um menino telecinético que foge da fundação em que vivia (chamada “Cosmos”) com o desejo de encontrar a família, que, ele descobre, estava viva. Mas os paranormais da fundação Cosmos não gostam da idéia de perder um aluno tão prodigioso, e tampouco tem o mesmo entendimento de “família” que o pequeno Rigel. A sua fuga será marcada pela violência, pelo reencontro, pela dor e o prazer. É um livro que fala sobre o valor da família, a força dos laços de amizade, e o quanto uma pessoa está disposta a sacrificar para realizar seus sonhos.
“Abascanto” conta a história de seres de uma outra dimensão, chamados de “grigori”, e a luta que travam em nosso planeta – uns para impor a sua visão de mundo, e outros para preservar a liberdade dos humanos de escolherem seu próprio caminho. Em meio a esse conflito está Érico, um jovem recém formado que por acidente acaba entrando em contato com a existência dos grigori, e daí para frente toda a sua vida desaba. É uma história recheada de ação e aventura, e em seu âmago, é um conto de fadas moderno. É a história da opção entre a vingança e o perdão, entre liberdade de escolha e a segurança, entre a família e o dever.

“Nêmesis” conta a história da família Masters, uma antiga família de magos que em 1875 aprisionou um grande demônio chamado Astarot. Agora, uma profecia revela que Astarot está se libertando, e a pessoa que irá romper sua prisão é uma jovem chamada Isabela Zuckermann. Isabela nem imagina que a magia exista, ou muito menos demônios, e se verá subitamente ameaçada por poderes inexplicáveis, inimigos improváveis, e aliados mais do que assustadores. Nêmesis é uma história de ação e aventura com poucos momentos para o leitor respirar. Em seu âmago, o livro fala sobre a descoberta dos valores próprios, da superação em face a dificuldades aparentemente impossíveis, e do valor do live arbítrio.

6 - Pra quem quiser conhecer seu trabalho, você tem blog, rede social...?

Meu twitter é @DiogoDeSouza
Respondo email através do contato@diogodesouza.com.br

7 - Quais suas dicas para quem está começando agora?

Três coisas: Perseverem, leiam, ouçam.

Como disse Joe Konrath: “Existe um nome para os escritores que nunca desistem: Publicados”. Pode ser que você escreva um ótimo livro, faça tudo direitinho, e ninguém o queira publicar. Não importa: escreva outro. Pode ser que você escreva quatro livros, e ninguém queira publicar: escreva mais um. Pode ser que você publique um livro e todo mundo ache ruim: escreva outro. Não desista nunca. Continue escrevendo até o dia de sua morte. Os que falham são os que desistem.

Leiam muito. Leiam tudo. Mas ler, por sí só, eu acho que não é o suficiente. É preciso saber como ler: criticar aquilo que foi lido. Quem quer escrever bem tem que analisar os livros que lê e se perguntar: Por que é que eu gostei deste livro? Por que é que eu não gostei? Como é que esse autor específico construiu seus personagens? Eu achei essa trama envolvente por que? O que é que esse livro tem que eu achei chato? Por que esse capítulo foi enfadonho? E principalmente: Como é que eu escreveria esse livro melhor?

Existe uma única certeza em todo o trabalho artístico: você será criticado. A crítica é só o que você pode esperar por escrever um livro. Portanto: use-as. Saiba ouvi-las. Não perca uma chance de se aprimorar. Considere cada retorno que você recebe. Porém, atenção: aceitar uma crítica não é igual a concordar com ela. Aceitar uma crítica é saber colocá-la sob sua própria análise, é considerá-la e pensar sobre ela, mas sem concordar ou discordar dela antes de passá-la pelo seu próprio filtro crítico.

8 - Deixe um recado para os leitores do Blog.

Espero que todos gostem do “Nêmesis”, “Abascanto” ou do “Fuga de Rigel”. Se algum de vocês ler um destes livros, diga-me o que achou (contato@diogodesouza.com.br).

Um livro tem essa capacidade: ele mescla as mentes do autor com as dos leitores. O mundo que eu imaginei em um livro nunca será igual ao que qualquer leitor imaginou ao lê-lo. O livro é a ponte: as palavras do autor com a imaginação do leitor. A imaginação do autor com o coração do leitor (quando o livro é bom). Portanto, todo livro precisa de um leitor. Sem essa metade do processo, ele é só um bando de palavras estéreis, inúteis.

Assim, fica aqui meu obrigado a vocês, leitores, por darem razão ao meu trabalho.

Abraços,

Diogo de Souza.


Mais uma vez obrigado! Acho que não somente eu, mas todo mundo está apostando nos seus livros. Espero em breve poder ter o meu! ^^

Psiu!
Silêncio Que Eu To Lendo!!

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